Fator que ajudou a aumentar o preço dos imóveis usados foi a baixa oferta de imóveis novos com a crise mundial.
Nós preparamos uma reportagem com dicas pra você fugir do mau negócio, especialmente na hora de financiar o imóvel. O segredo é pesquisar.
Os bancos admitem que uma boa negociação com os gerentes pode resultar em taxas de juros menores. E é fundamental pesquisar, exigir e bater o pé, porque, com a crise financeira, o número de lançamentos diminuiu. E o preço dos imóveis usados subiu bastante. O repórter Wallace Lara fez as contas e encontrou diferenças enormes nos financiamentos oferecidos pelos bancos.
O redator Rafael Carrieri sonha com o apartamento próprio. Desde julho, ele acompanha o movimento do mercado. Nos últimos meses, ficou assustado com os preços. “O apartamento que eu via de R$ 240 a R$ 250 mil, agora, nesse final de mês, a gente está achando por R$ 300 mil, R$ 280 mil. Subiu bastante o valor, depois do meio do ano”, conta.
Em São Paulo, na maioria das regiões, os imóveis usados estão mais caros. De acordo com uma pesquisa do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci), a alta acontece em áreas centrais e distantes.
Em Itaquera, na Zona Leste, casas simples tiveram os preços reajustados em 121%. Já entre os apartamentos, os que ficaram mais caros estão em bairros próximos do Centro. Um deles, perto do Aeroporto de Congonhas, valorizou 50%.
Um fator que ajudou a aumentar o preço dos imóveis usados foi a baixa oferta de imóveis novos por causa da crise mundial. No primeiro semestre, foram lançadas na cidade de São Paulo oito mil unidades residenciais. Em 2008, no mesmo período, foram 16,8 mil o que representa uma redução de 51%.
“Se antes, há um ou dois anos e meio, se levava nove meses para se vender um usado, hoje se vende em até quatro meses. A média hoje é de quatro meses para o imóvel que tem o preço de mercado sendo requerido pelo proprietário”, afirma o presidente do Creci-SP, José Augusto Viana Neto.
Quem pensa em comprar um imóvel usado e precisa de um financiamento deve tomar cuidado com as oportunidades oferecidas pelos bancos. As taxas de juros variam muito e, dependendo do prazo do empréstimo, a prestação pode se tornar um peso no orçamento da família.
Na internet, o Bom Dia usou os simuladores dos bancos que permitem a pesquisa por um não correntista. Colocamos como valor do financiamento R$ 100 mil e como o período de pagamento, 20 anos.
Confira o resultado financiamento de um imóvel usado
Banco do Brasil
Prestação inicial: R$ 1.180,05
Custo Efetivo Total: 10,13%
Caixa Econômica Federal
Prestação inicial: R$ 1.201,47
Custo Efetivo Total: 10,38%
Citibank
Prestação inicial: R$ 1.264,07
Custo Efetivo Total: 11,38%
Santander
Prestação inicial: R$ 1.330,82
Custo Efetivo Total: 11,98%
Bradesco
Prestação inicial: R$ 1.345,41%
Custo Efetivo Total: 12,16%
Itaú / Unibanco
Prestação inicial: R$ 1.396,86
Custo Efetivo Total: 12,86%
O Custo Efetivo Total representa a soma da taxa de juros, tarifas e seguros aplicados anualmente e reflete no valor das prestações.
A diferença da menor prestação para a maior é de R$ 216. Se os valores fossem fixos, no final do financiamento, o cliente, que optou pela taxa maior, teria pago a mais R$ 52 mil.
A economista da FGV Ana Maria Castelo também fez a simulação e aconselha o consumidor a não fechar negócio sem antes fazer uma boa pesquisa.
“O comprador tem que ter em mente que um imóvel é um bem de valor elevado que vai comprometer a renda dele por um período bastante longo, que pode ser de 15 ou até 30 anos. Então, fazer a pesquisa, verificar qual é a melhor taxa de juros, considerando a entrada que ele vai dar e a composição de renda é fundamental”, afirma.
Os alugueis de imóveis também subiram. Há pouco tempo, não passavam de 0,5% do valor do imóvel. Hoje, já passam de 1% do valor do imóvel.