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Nascemos nas cavernas

Nascemos nas cavernas

Por: Fabiano Marinho

Reta final de agosto e o mercado imobiliário pulsa.

Selic em 14% ao ano. Uma eleição bipolarizada chegando, com o debate na televisão seguindo mais um roteiro circense brasileiro. Tensão lá fora, notícia ruim dominando os meios de comunicação. E, para ajudar, o São Paulo, meu time do coração, não convence ninguém. Depressão à vista? Não.

O mercado imobiliário é, de certa maneira, alheio a tudo isso. Não que não sofra impacto. Ele sofre. Mas ele supera. E dessa vez eu não vou pedir que você acredite em mim. Vou mostrar os números.

O crédito imobiliário no Brasil somou R$ 180,9 bilhões no primeiro semestre de 2026. É 23% a mais que no mesmo período do ano passado, quando foram R$ 147,1 bilhões. Mais de 680 mil imóveis financiados em seis meses. O dinheiro que vem da poupança cresceu 29% e o do FGTS cresceu 22%. Os dados são da Abecip. Repare no que isso quer dizer: com a Selic em 14%, o brasileiro financiou 23% mais imóvel do que no ano passado.

E tem uma coisa que pouca gente comenta. O financiamento imobiliário hoje sai entre 11% e 12% ao ano, abaixo da taxa básica da economia. Ele não é preso à Selic da mesma forma que o resto do crédito, porque a maior parte do funding vem da poupança, não do mercado aberto. Enquanto o cartão e o cheque especial cobram o que cobram, a casa própria continua sendo o crédito mais barato que existe para pessoa física neste país.

No mercado de imóveis novos, o primeiro trimestre fechou com 110.722 unidades vendidas no Brasil, alta de 4,1%, e o Sudeste sozinho respondeu por 52% disso. E aqui do nosso lado, Ribeirão Preto é hoje a terceira cidade do estado de São Paulo em volume de vendas de imóveis, atrás apenas de Sorocaba e Campinas, e a quarta em valor geral de vendas, segundo o Secovi-SP. A gente não é coadjuvante nesse mercado. A gente joga entre os três primeiros do estado mais competitivo do país.

Agora, por que isso acontece? Porque aqui existe um agregado que nenhum outro setor tem: as famílias mudam. Gente casando. Gente se divorciando. Filho nascendo e a casa ficando pequena. Filho indo para a faculdade e precisando de um apartamento. Pessoas queridas que partem e deixam um patrimônio para partilhar. Um novo relacionamento que começa. Um pai ou uma mãe que precisa de apoio e vem morar perto. Nada disso pergunta como está a Selic, e nada disso espera a eleição passar.

E o mais fundo de tudo isso é o seguinte. Desde que a gente sabe, lá no passado remoto, éramos os homens das cavernas. Veja bem: das cavernas. Não o homem da floresta, nem do rio, nem da mata, nem de qualquer outra coisa. Nascemos nas cavernas. A caverna era a nossa casa, lugar de proteção, de abrigo, de cuidado com a família.

Até hoje, quando a gente tem um dia difícil na vida, o que a gente quer é voltar para a nossa caverna. Por tudo isso, o nosso mercado é mais do que imbatível. Ele é necessário.

Boa semana.