Passou o primeiro turno. O que muda, de fato, no seu imóvel
Por: Fabiano Marinho
Terminou o primeiro turno. Flávio Bolsonaro teve 47,03% dos votos válidos e Lula 45,16%, e a decisão fica para 25 de outubro. Não vou falar de candidato aqui, não é o assunto desta coluna e não é o que o leitor precisa de mim. Vou falar do que a eleição faz com o preço do dinheiro, porque é por aí que ela chega no imóvel.
O que a eleição mexe
Em ano de eleição o mercado reprecifica juro e câmbio antes de saber o resultado, com base em pesquisa. Quem toma decisão de patrimônio olhando pesquisa erra duas vezes: erra a leitura da pesquisa e erra a do imóvel.
Eu atravessei várias eleições dentro deste mercado e não me lembro de um único cliente que tenha ganhado dinheiro por ter esperado o resultado para decidir sobre um imóvel. Lembro de vários que perderam a oportunidade e compraram depois, mais caro. Eleição mexe na curva de juros por alguns meses. Imóvel é decisão de dez anos.
O que está dado, independente do resultado
A Selic está em 13,75%, em ciclo de queda, e a próxima reunião do Copom é em 3 e 4 de novembro, ou seja, depois do segundo turno. Nenhuma decisão de juros vai acontecer antes da eleição.
A inflação de atacado voltou. O IGP-M fechou setembro em 1,57%, depois de ter caído 0,22% em agosto, e acumula 3,34% em doze meses. É o índice que corrige a maior parte dos contratos de aluguel, e ele virou de lado.
O custo de obra segue subindo mais que a inflação: o INCC de setembro ficou em 0,25% no mês e 6,61% em doze meses. Isso não é eleitoral, é dissídio de mão de obra e preço de cobre e cimento. Quem vai construir ou comprar na planta precisa saber que o saldo devedor corrigido por INCC acompanha isso.
E o preço do imóvel continua andando. O metro quadrado médio do país está em 10.015 reais, com alta de 5,51% em doze meses. Em Ribeirão Preto está em 5.357 reais, com alta de 5,90%. Quem mora aqui compra por pouco mais da metade do preço médio nacional, e isso não tem nada a ver com o resultado de outubro.
O que eu tiro disso
Não parar. Quem segura decisão de patrimônio esperando cenário político perfeito passa a vida esperando, porque cenário perfeito não existe em nenhum dos lados.
O que faz sentido é o contrário de esperar: usar a janela. Em período de indefinição, vendedor fica mais flexível e comprador fica mais raro. Para quem tem caixa e horizonte, é aí que aparece preço bom. Para quem vai vender, é hora de preço realista e imóvel bem apresentado, porque a demanda está mais seletiva.
E, para quem tem imóvel de renda, uma conta que vale mais que qualquer pesquisa: o aluguel está subindo mais rápido que o preço de venda. Contrato velho corrigido por IGP-M está defasado em relação ao mercado. Isso se resolve na renovação, com dado na mão, e resolve em qualquer cenário eleitoral.
Boa semana.
Fabiano Marinho
CEO · Grupo Lago Imóveis
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