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Ribeirão Preto está na contramão do interior de São Paulo

Por: Fabiano Marinho

Saiu a pesquisa do Secovi-SP com o SindusCon-SP e a Brain sobre o segundo trimestre no interior paulista, e tem um dado ali que merece ser dito em voz alta: entre as 42 localidades analisadas, a região de Ribeirão Preto e Sertãozinho foi a segunda que mais cresceu em lançamentos imobiliários, com alta de 56,7%.


No mesmo trimestre, o interior de São Paulo como um todo caiu cerca de 15%, tanto em unidades lançadas quanto em unidades vendidas. E as vendas aqui foram de 1.354 unidades no trimestre, 36,6% acima do trimestre anterior.


Quer dizer: a região está crescendo enquanto o interior encolhe. Não é sorte.


Por que está acontecendo aqui


Ribeirão tem uma combinação que poucas cidades do país têm junta: agronegócio forte, polo de saúde de referência, universidade pública, aeroporto ampliado e um mercado de trabalho que segue abrindo vaga. De janeiro a agosto a cidade gerou 5.030 empregos formais, sétima do estado, num ano em que São Paulo como um todo perdeu ritmo.


E tem o preço. O metro quadrado em Ribeirão está em 5.357 reais, contra 10.015 da média nacional. Isso significa renda local de cidade grande com preço de imóvel de cidade média. É esse o arbítrio que está atraindo capital de fora.


O Parque Fiúsa é o exemplo mais claro. Catorze torres, cerca de 1.500 unidades, zona sul, valor geral de vendas acima de 2 bilhões de reais. Um projeto desse tamanho não é notícia de um empreendimento. É sinal de que gente de fora passou a olhar Ribeirão como praça de investimento, e não só como cidade do interior.


Agora a parte que ninguém fala em evento de lançamento


Oferta subindo 56,7% com venda subindo 1,8% em relação ao mesmo trimestre do ano passado é um alerta, não uma comemoração.


Lançamento é aposta de trinta meses. Quem lança hoje entrega em 2029. Se a oferta correr mais rápido que a absorção, quem paga a conta é quem comprou na planta no preço de cima e vai encontrar o mercado com estoque na entrega. Já vi esse filme em outras praças e o final é sempre o mesmo: desconto na tabela do incorporador e revenda difícil para quem comprou para investir.


Isso não é motivo para ficar de fora. É motivo para escolher. Produto, localização, incorporador com histórico de entrega e preço de entrada que faça sentido se o mercado ficar de lado por dois anos.


Um recado sobre aluguel


O IPCA de setembro veio em 0,82% e fechou doze meses em 4,58%, acima do teto da meta de inflação. Mas o número que importa para quem aluga está dentro dele: energia elétrica residencial subiu 7,98% no mês, com o fim do bônus de Itaipu, e habitação subiu 2,31%.


Isso chega na inadimplência do aluguel antes de chegar em qualquer índice de reajuste. Quem administra carteira sabe que o inquilino prioriza a conta de luz e o mercado, e o aluguel entra depois. É hora de contato ativo, não de carta de cobrança.


Boa semana.


Fabiano Marinho


CEO · Grupo Lago Imóveis